Data: 04/11/2026

A dieta para camarão precisa acompanhar mudanças que ocorrem desde os primeiros estágios de desenvolvimento até a fase de engorda. Conforme o animal se desenvolve, mudam suas exigências nutricionais, o comportamento alimentar, a capacidade de aproveitamento dos nutrientes e as características físicas necessárias para a ração.

Na fase de pós-larva do camarão, fatores como a qualidade da dieta, a atratividade e a disponibilidade dos aminoácidos recebem maior atenção. Durante as fases juvenil e de engorda, o equilíbrio entre proteína e energia passa a ter maior influência sobre o ganho de peso, a conversão alimentar e o custo da alimentação.

Por isso, a formulação não deve se limitar a atingir um percentual predeterminado de proteína bruta. Este artigo apresenta como as exigências mudam entre as fases e quais critérios devem ser considerados na avaliação das fontes proteicas, da digestibilidade, da estabilidade da ração na água e do custo por performance.

Neste artigo, você vai conferir:

O que uma ração para camarão precisa entregar em cada fase de cultivo?

As prioridades nutricionais mudam conforme o camarão se desenvolve. A formulação precisa fornecer energia, aminoácidos, lipídios, vitaminas e minerais em proporções compatíveis com a fase, além de apresentar digestibilidade, atratividade e características físicas adequadas ao consumo.

Outro aspecto relevante é a capacidade de aproveitamento dos nutrientes. Espécie, peso, salinidade, temperatura, densidade, produtividade natural do ambiente e manejo alimentar interferem na resposta à dieta, de modo que não há uma composição única capaz de atender a todos os sistemas de produção.

Além de proteína, a formulação precisa fornecer energia e ácidos graxos compatíveis com as exigências da espécie e da fase de cultivo. Sobre esse ponto, é possível fazer a substituição parcial do óleo de peixe por óleos de origem animal, desde que a formulação preserve o fornecimento de EPA e DHA por meio das fontes adequadas. Também é importante considerar o perfil de ácidos graxos, a digestibilidade, a estabilidade oxidativa e as condições de produção.

Como mudam as exigências nutricionais do camarão?

As prioridades nutricionais mudam à medida que o camarão se desenvolve. Além das exigências relacionadas à espécie e ao peso, a formulação precisa acompanhar alterações na capacidade de ingestão, no crescimento, no aproveitamento dos nutrientes e nos objetivos produtivos de cada etapa.

Faseprincipal objetivo nutricionalO QUE PRIORIZAR NA FORMULAÇÃO
Pós-larvaSustentar o rápido desenvolvimento e a sobrevivência durante a fase de berçárioDigestibilidade, aminoácidos disponíveis, atratividade, granulometria e estabilidade na água
Fase juvenilManter o crescimento e o aproveitamento da dietaRelação entre proteína e energia, conversão alimentar, perfil de aminoácidos e condições de cultivo
Fase de engordaFavorecer ganho de peso e eficiência alimentar até a despescaUtilização da proteína, conversão alimentar, estabilidade da dieta para camarão e custo por performance

Pós-larva

A pós-larva de camarão apresenta crescimento acelerado e maior dependência de uma dieta compatível com sua capacidade de ingestão e digestão. Nessa fase, o tamanho das partículas, atratividade, estabilidade na água e disponibilidade dos aminoácidos são tão relevantes quanto o teor de proteína.

Fase juvenil

Durante a fase juvenil, a formulação precisa sustentar o crescimento sem destinar uma parcela excessiva da proteína à produção de energia. O equilíbrio com lipídios e carboidratos, a digestibilidade e o perfil de aminoácidos interferem no aproveitamento nutricional e na conversão alimentar.

Fase de engorda

Na engorda, ganho de peso, conversão alimentar e custo por performance ocupam maior espaço na decisão produtiva. Reduzir proteína sem avaliar sua qualidade pode limitar o fornecimento de aminoácidos, enquanto elevar o percentual além da capacidade de utilização aumenta o custo e a excreção de nitrogênio.

Desafios sanitários, como Mancha Branca, Necrose Infecciosa Muscular (NIM) e vibrioses, também podem afetar consumo, sobrevivência e produtividade. A dieta para camarão participa do suporte nutricional, mas não substitui biossegurança, controle da água, diagnóstico e manejo sanitário.

O que avaliar na proteína utilizada na ração?

A composição proteica precisa ser analisada a partir da quantidade disponível para o metabolismo, e não apenas do percentual bruto. Os principais critérios incluem:

  • ● Digestibilidade: representa a proporção da proteína digerida e absorvida nas condições avaliadas.
  • ● Perfil de aminoácidos: mostra se a fonte fornece os aminoácidos essenciais nas proporções exigidas pela espécie e pela fase.
  • ● Biodisponibilidade: corresponde à parcela absorvida que permanece disponível para utilização pelo organismo.
  • ● Atratividade e palatabilidade: interferem na localização, na apreensão e no consumo da ração pelos camarões.
  • ● Padronização: reduz diferenças entre a matriz nutricional utilizada no cálculo e a composição do ingrediente efetivamente recebido.
  • ● Composição mineral da fonte: indica a contribuição de fósforo e outros minerais que precisam ser balanceados na dieta.
  • ● Segurança microbiológica: integra o controle da matéria-prima, do processamento, do armazenamento e do produto acabado.

O teor de proteína bruta corresponde a uma estimativa baseada no nitrogênio presente no ingrediente. Por isso, duas fontes com percentuais semelhantes podem apresentar diferenças de perfil de aminoácidos, digestibilidade, minerais, gordura e disponibilidade nutricional.

Como a digestibilidade proteica impacta a conversão alimentar?

Antes de ser utilizada para manutenção e crescimento, a proteína precisa ser digerida em peptídeos e aminoácidos, absorvida e direcionada ao metabolismo. Perdas em qualquer uma dessas etapas reduzem a quantidade de nutrientes efetivamente aproveitada pelos camarões.

Essa relação pode ser observada nos seguintes pontos:

  • ● Aproveitamento da proteína: fontes mais digestíveis ampliam a parcela potencialmente disponível para absorção.
  • ● Desperdício nutricional: a fração não digerida pode ser eliminada e aumentar a carga de resíduos no sistema.
  • ● Disponibilidade de aminoácidos: o equilíbrio entre os aminoácidos absorvidos interfere na síntese proteica.
  • ● Conversão alimentar: dietas pouco aproveitadas podem exigir maior quantidade de ração para produzir o mesmo ganho de biomassa.
  • ● Custo da formulação: preço, consumo, conversão alimentar e desempenho precisam ser avaliados em conjunto.

Araujo et al. (2025), autores de Effect of Protein Intake on Growth and Nutrient Retention of Pacific White Shrimp in a Green Water Recirculating Aquaculture System, avaliaram camarões juvenis de 0,41 g durante 11 semanas. O experimento utilizou 32 tanques, dietas com 25% a 40% de proteína bruta e duas taxas de arraçoamento para analisar os efeitos da concentração proteica e da quantidade fornecida.

Quando as dietas menos proteicas foram fornecidas em maior quantidade para igualar a ingestão de proteína, os camarões apresentaram crescimento semelhante ao dos tratamentos com equivalência de 40% de proteína. No entanto, as maiores taxas de alimentação associadas aos menores teores proteicos elevaram o consumo de ração e foram as mais caras para produzir 1 kg de camarão, o que reforça a análise do custo por performance.

Qual a relação entre qualidade da ração e qualidade da água?

A ração fornecida e não consumida pode se desintegrar e liberar matéria orgânica, nitrogênio e fósforo no ambiente de cultivo. Os nutrientes também retornam, em parte, à água por meio das fezes e da excreção quando não é retida nos tecidos.

Quando a estabilidade física é insuficiente, componentes solúveis podem ser perdidos antes do consumo. Já uma formulação equilibrada e compatível com a capacidade digestiva dos animais favorece o aproveitamento dos nutrientes, mas o resultado também depende do processamento, da quantidade fornecida, da frequência alimentar e da remoção das sobras.

Méndez-Martínez et al. (2021), autores de Dry Matter, Protein, and Energy Digestibility of Diets for Juvenile Pacific White Leg Shrimps Reared at Different Salinity Levels, avaliaram duas dietas experimentais e seis comerciais durante 120 dias. A pesquisa utilizou juvenis de aproximadamente 4 g e salinidades de 5, 35 e 50 partes por mil; a hidroestabilidade variou de 86,8% a 99,9%, enquanto a digestibilidade aparente da proteína ficou entre 56,9% e 85,8%.

Na análise conjunta, a formulação experimental E2, à base de farinha de peixe, combinada com salinidade de 35 partes por mil, apresentou o melhor equilíbrio entre hidroestabilidade e digestibilidade na aquicultura. A resposta variou entre dietas e salinidades, o que mostra que o comportamento da ração depende tanto da formulação quanto das condições em que é utilizada.

Como escolher fontes de proteína?

Uma formulação pode combinar diferentes fontes para atingir o perfil de aminoácidos, a digestibilidade, a atratividade e o custo pretendidos. A escolha depende da função desempenhada por cada ingrediente.

Fonte proteicaCaracterística na formulaçãoO que avaliar
Farinhas e ingredientes de origem marinhaPodem fornecer proteína, aminoácidos, minerais, lipídios marinhos e compostos atrativosDigestibilidade, matéria mineral, estabilidade, origem, regularidade e disponibilidade
Proteínas vegetaisAmpliam as alternativas de fornecimento e podem participar da substituição de ingredientes marinhosAminoácidos limitantes, fatores antinutricionais, digestibilidade, atratividade e necessidade de suplementação
Proteínas de origem animal terrestreContribuem com proteína e aminoácidos e apresentam diferentes perfis de gordura e mineraisMatéria-prima, processamento, digestibilidade, matéria mineral, padronização e segurança
Proteínas hidrolisadasFornecem peptídeos de baixo peso molecular e aminoácidos livres; também podem contribuir para a atratividade e para respostas associadas à saúde e ao desempenho, conforme a bioatividade demonstradaGrau de hidrólise, distribuição de massa molecular, solubilidade, composição, nível de inclusão e resultados experimentais

A substituição de uma fonte por outra não deve ser calculada somente pela equivalência de proteína bruta. Aminoácidos, energia, minerais, digestibilidade, atratividade e comportamento durante o processamento precisam permanecer compatíveis com o objetivo da dieta.

Qual o papel das proteínas hidrolisadas?

Na hidrólise enzimática, proteases rompem parte das ligações das proteínas, formando peptídeos de baixo peso molecular e aminoácidos livres. Essa fragmentação altera propriedades como solubilidade e atratividade e pode reduzir etapas necessárias à digestão, embora o resultado dependa da matéria-prima, do processo e da dieta completa.

Peptídeos de baixo peso molecular podem contribuir para a digestibilidade, a atratividade e os efeitos funcionais da dieta. A magnitude da resposta deve ser interpretada em conjunto com a composição, o nível de inclusão, a espécie, a fase produtiva, a fonte substituída e os resultados obtidos em condições compatíveis com o cultivo.

Negrini et al. (2024), autores de Different Protein Hydrolysates Can Be Used in the Penaeus vannamei Diet as a Partial Replacement for Fish Meal during the Grow-Out Phase, avaliaram juvenis de 1,35 g em 24 unidades experimentais durante 50 dias. Os seis tratamentos incluíram um controle com farinha de peixe e cinco estratégias de substituição parcial de 6%: hidrolisado de proteína de frango; hidrolisado enzimático de penas de frango; Aquabite, produto à base de peptídeos de peixes marinhos; hidrolisado de proteína de frango com maltodextrina; e hidrolisado de proteína de frango com levedura.

Os tratamentos com hidrolisados mantiveram crescimento, conversão alimentar, sobrevivência e contagem de hemócitos semelhantes ao controle, enquanto as atividades de amilase e tripsina variaram entre as dietas. O resultado demonstra a viabilidade das proteínas hidrolisadas avaliadas como substitutos parciais da farinha de peixe nas condições do experimento.

O BioActio Health & Performance da MBRF Ingredients é produzido por meio do processo de hidrólise enzimática de proteínas de frango. O ingrediente integra o portfólio de proteínas hidrolisadas para aquicultura e contém peptídeos de baixo peso molecular e 15% de aminoácidos livres, além de auxiliar na palatabilidade.

Em 2025, a MBRF Ingredients conquistou o F3 Krill Replacement Challenge com BioActio Health & Performance. O desafio selecionou dez finalistas entre 40 empresas e avaliou substitutos do krill em um ensaio de 12 semanas com salmão-do-Atlântico, considerando crescimento, consumo de ração e sobrevivência.

Ração para camarão: desempenho depende da qualidade da formulação

A exigência nutricional muda conforme a espécie, o peso, a fase e o sistema de cultivo. Os percentuais de proteína bruta na dieta para camarão oferecem referências, mas precisam ser interpretados junto à energia, aos aminoácidos, à digestibilidade, à atratividade e à estabilidade física da ração.

Por essa razão, a seleção dos ingredientes deve considerar o aproveitamento nutricional e o custo por performance, além do preço de aquisição. Proteínas hidrolisadas podem cumprir funções específicas nesse conjunto quando sua composição e seus resultados experimentais correspondem às necessidades da formulação.

Conheça BioActio Health & Performance e fale com a equipe da MBRF Ingredients para avaliar sua aplicação em formulações para aquicultura. A análise técnica pode considerar a composição da dieta, a fase produtiva e os resultados pretendidos para o cultivo.

Perguntas frequentes sobre ração para camarão

Qual é o teor de proteína indicado na ração para camarão?

Não existe um percentual único aplicável a todas as rações. Em estudos com P. vannamei, Barreto et al. (2023) estimaram cerca de 47% de proteína bruta na dieta para pós-larvas de 3,2 mg em sistema de recirculação com água clara, enquanto Lee e Lee (2018) estimaram 34,5% a 35,6% para animais de 0,65 g e 4,8 g e 32,2% para animais de 10,5 g, com dietas semipurificadas. Esses valores são referências condicionadas ao desenho experimental e não substituem a avaliação da espécie, da fase, da energia, da fonte proteica e do sistema de cultivo.

A exigência de proteína muda conforme a fase do camarão?

Sim. Pós-larvas apresentam crescimento acelerado e podem exigir dietas com maior densidade proteica, enquanto juvenis e animais em engorda respondem a relações diferentes entre proteína, energia e consumo.

O que avaliar na fonte de proteína utilizada na dieta para camarão?

A avaliação inclui digestibilidade, perfil de aminoácidos, biodisponibilidade, atratividade, componentes não proteicos — como minerais e lipídios —, padronização e segurança microbiológica. Esses parâmetros mostram aspectos da fonte proteica que o teor de proteína bruta não revela isoladamente.

Como a digestibilidade influencia o crescimento dos camarões?

A digestibilidade indica a parcela dos nutrientes que pode ser digerida e absorvida. Quando a proteína é pouco aproveitada, diminui a disponibilidade de aminoácidos para manutenção e crescimento.

O que influencia a conversão alimentar dos camarões?

A conversão alimentar depende da composição e da digestibilidade da dieta, da quantidade fornecida, da frequência de alimentação e da estabilidade da ração na água. Temperatura, salinidade, densidade, sanidade e qualidade da água também interferem no resultado.

Proteína hidrolisada pode ser utilizada em ração para camarão?

Sim. Proteínas hidrolisadas fornecem peptídeos de baixo peso molecular e aminoácidos livres, podem favorecer a atratividade e podem exercer funções bioativas relacionadas ao aproveitamento nutricional e a respostas fisiológicas. A aplicação depende da composição, do nível de inclusão e das evidências obtidas para a espécie, a fase e a formulação avaliadas.

Como escolher fontes de proteína para alimentação de camarões?

A escolha deve considerar a contribuição de cada fonte para aminoácidos, energia, minerais, digestibilidade e atratividade. A combinação também precisa ser compatível com a fase, o sistema de cultivo e o custo por performance esperado.

A qualidade da ração pode interferir na qualidade da água?

Sim. Rações instáveis podem perder nutrientes antes do consumo, enquanto frações não digeridas ou fornecidas em excesso aumentam a entrada de resíduos no sistema.