Data: 01/09/2026

O desafio das formulações atuais não se limita a atender uma tabela de exigências nutricionais. Também envolve favorecer a saúde intestinal, manter o consumo, reduzir perdas de nutrientes e sustentar o desempenho produtivo em diferentes espécies e fases. Por isso, ingredientes funcionais vêm sendo estudados pelo que oferecem além do aporte de energia ou proteína.

Neste artigo, você vai entender:

O que são peptídeos bioativos?

Peptídeos bioativos são sequências de aminoácidos que, além de contribuir para o aporte nutricional, podem exercer funções biológicas específicas no organismo. Dependendo de sua composição e estrutura, estão associados a mecanismos relacionados à digestão, à saúde intestinal, à resposta imune e ao aproveitamento de nutrientes. Muitas dessas sequências permanecem "ocultas" na estrutura das proteínas e são liberadas durante a digestão, a fermentação ou a hidrólise industrial.

Os aminoácidos que formam um peptídeo são unidos por ligações peptídicas. Sua composição e ordem determinam as características da sequência, enquanto seu tamanho influencia a forma como ela é digerida e absorvida.

Cadeias menores podem exigir menos etapas de quebra enzimática, mas a atividade biológica de um peptídeo depende da preservação da sequência responsável por sua função. Quando a hidrólise promove uma fragmentação excessiva, essa atividade pode ser reduzida ou até perdida.

O interesse por essas moléculas reflete uma mudança na forma de avaliar ingredientes proteicos. Se antes a qualidade de uma proteína era analisada principalmente pelo teor proteico e pelo perfil de aminoácidos, hoje também se considera como determinadas frações peptídicas interagem com o organismo.

Nesse contexto, a composição molecular passou a ser vista como um atributo estratégico no desenvolvimento de ingredientes funcionais para a nutrição animal. Mais do que fontes de aminoácidos, esses ingredientes são cada vez mais estudados pelo potencial de fornecer frações peptídicas capazes de agregar funcionalidades adicionais às formulações.

A relação entre tamanho molecular e atividade biológica foi discutida em uma revisão científica publicada em 2022, que reuniu resultados de diferentes estudos sobre peptídeos bioativos. Entre eles, um trabalho com hidrolisado de glúten de milho observou maior atividade antioxidante em peptídeos com massa molecular entre 500 e 1.500 Da (dalton) em comparação com frações menores ou maiores.

Os demais estudos compilados pelos autores indicam que a hidrólise excessiva pode reduzir essa atividade ao converter os peptídeos em aminoácidos livres. Embora o tamanho molecular seja um fator importante, os resultados variam conforme a fonte proteica, a sequência dos aminoácidos e a função biológica avaliada.

É importante diferenciar o papel de cada componente na alimentação:

ComponenteO que éPapel nutricional
AminoácidoUnidade básica que forma peptídeos e proteínasParticipa da síntese de tecidos, enzimas, hormônios e outras moléculas
PeptídeoCadeia de dois ou mais aminoácidosPode fornecer aminoácidos e, conforme a sequência, apresentar atividade biológica
ProteínaCadeia maior, organizada em uma estrutura própriaFornece aminoácidos e desempenha funções estruturais e metabólicas

Como os peptídeos bioativos são produzidos?

Na produção de proteínas hidrolisadas, enzimas chamadas proteases rompem ligações específicas da cadeia proteica. Parâmetros como tipo e concentração da enzima, pH, temperatura e tempo de reação são controlados para obter determinado grau de hidrólise e perfil de moléculas. O processo pode ser resumido nos pontos listados abaixo.

  • ● Hidrólise enzimática: utiliza enzimas para romper ligações peptídicas em condições definidas.
  • ● Quebra controlada das proteínas: reduz cadeias extensas sem depender da digestão completa no trato gastrointestinal.
  • ● Formação de di e tripeptídeos: gera moléculas com dois ou três aminoácidos, além de outros peptídeos e aminoácidos livres.
  • ● Baixa massa molecular: concentra frações menores, de acordo com o processo e a especificação do produto.
  • ● Maior biodisponibilidade potencial: pode tornar parte dos nutrientes mais acessível, resultado que precisa ser confirmado na dieta e na espécie de interesse.

A hidrólise enzimática costuma ser escolhida por ocorrer em condições mais brandas e oferecer maior controle sobre o ponto de quebra do que métodos químicos. Isso reduz o risco de destruir aminoácidos sensíveis e facilita a padronização do perfil peptídico.

Uma revisão sobre proteínas hidrolisadas na nutrição animal reuniu resultados de diferentes estudos e destacou as vantagens da hidrólise enzimática, como o maior controle sobre o perfil molecular gerado. Ao mesmo tempo, mostrou que as respostas observadas dependem de fatores como matéria-prima, enzima utilizada e condições de processamento. Por isso, o desempenho de um ingrediente não é determinado apenas pelo uso da hidrólise, mas pela combinação entre a qualidade da proteína e o controle do processo.

Como os peptídeos bioativos atuam no organismo animal?

Após serem liberados das proteínas, os peptídeos bioativos podem exercer seus efeitos de diferentes formas. Alguns atuam localmente no trato gastrointestinal, enquanto outros podem interagir com receptores celulares ou moléculas sinalizadoras envolvidas na resposta imune, no estresse oxidativo e em outros processos fisiológicos. Para que isso ocorra, entretanto, a sequência bioativa deve permanecer íntegra até alcançar seu local de ação.

A capacidade de um peptídeo alcançar seu local de ação e exercer sua atividade biológica depende de sua resistência à digestão e de sua forma de absorção pelo organismo. Por isso, compreender o que acontece com essas moléculas após a ingestão é fundamental para entender como seus efeitos podem ser preservados e expressos.

Após a ingestão, as enzimas digestivas fragmentam as proteínas em aminoácidos e peptídeos de diferentes tamanhos. Essas moléculas seguem rotas distintas de absorção: aminoácidos livres utilizam transportadores específicos, enquanto di e tripeptídeos podem entrar nas células que revestem o intestino pelo PEPT1, sigla em inglês para transportador de peptídeos 1.

Como ocorre a absorção intestinal (PEPT1)?

Um estudo sobre o PEPT1 intestinal de suínos identificou o material genético responsável pela produção desse transportador e verificou sua presença no duodeno, no jejuno e no íleo. Para testar seu funcionamento, os pesquisadores reproduziram o PEPT1 em células cultivadas em laboratório e avaliaram sua interação com peptídeos de diferentes tamanhos.

Os testes indicaram que o transportador reconhece diversas cadeias formadas por dois ou três aminoácidos, embora a afinidade varie conforme a composição da sequência. Os tetrapeptídeos avaliados, formados por quatro aminoácidos, não foram transportados. O estudo descreve, portanto, uma das rotas pelas quais os produtos da digestão proteica atravessam a membrana das células intestinais.

A entrada pelo PEPT1 não significa que todos os peptídeos cheguem intactos à corrente sanguínea. Depois de absorvida, grande parte dos di e tripeptídeos é novamente fragmentada dentro dos enterócitos e segue para a circulação como aminoácidos livres. Sequências que resistem a essa quebra podem permanecer intactas por mais tempo, agir localmente na mucosa intestinal ou alcançar outros tecidos, conforme sua estrutura e estabilidade.

Digestibilidade e biodisponibilidade: o que muda?

O aproveitamento dos nutrientes envolve a digestibilidade e a biodisponibilidade, etapas diferentes nesse processo. A digestibilidade estima quanto foi digerido e absorvido até determinado ponto do intestino. A biodisponibilidade indica quanto da parcela absorvida pode ser utilizada pelo organismo. O estudo apresentado a seguir analisou apenas a primeira etapa, por meio da digestibilidade aparente no jejuno.

Para avaliar como a forma dos aminoácidos interfere na digestibilidade aparente no jejuno, um ensaio com 30 suínos em crescimento, com peso médio inicial de 33,7 quilos, comparou o efeito de diferentes tipos de alimentação. Durante 14 dias, os animais receberam uma das três dietas a seguir:

  • ● proteína intacta de farinha de penas;
  • ● aminoácidos livres e pequenos peptídeos obtidos por hidrólise ácida extensa de penas;
  • ● uma combinação de aminoácidos livres purificados, formulada com o mesmo perfil do material hidrolisado.

Na avaliação, a quantidade fornecida de ração, energia e aminoácidos foi controlada entre os tratamentos. Após uma refeição com marcadores não digeríveis, os pesquisadores coletaram conteúdo e tecidos de diferentes regiões do intestino delgado.

A dieta com o hidrolisado e aquela composta por aminoácidos livres apresentaram maior digestibilidade jejunal aparente do que a da proteína intacta. Esse indicador estima quanto dos aminoácidos ingeridos já não está presente no conteúdo intestinal ao chegar ao jejuno. O termo “aparente” sinaliza que o cálculo também pode incluir aminoácidos provenientes de secreções digestivas e da renovação das células intestinais.

Na comparação entre o hidrolisado e os aminoácidos livres, a dieta com pequenos peptídeos apresentou digestibilidade significativamente maior para cisteína, glicina, histidina, metionina e prolina. Essas diferenças podem estar relacionadas à absorção mais rápida dos pequenos peptídeos.

Quais são os benefícios dos peptídeos bioativos na nutrição animal?

Os resultados esperados não decorrem apenas da presença de cadeias curtas. Eles dependem de peptídeos com sequências ativas, em concentração adequada e preservados até o local de ação. Entre os efeitos mais estudados estão:

  • ● Digestibilidade e aproveitamento de nutrientes. A hidrólise reduz o tamanho das cadeias, favorecendo a ação das enzimas digestivas e a absorção intestinal.
  • ● Saúde intestinal. Determinadas sequências têm sido estudadas por sua interação com a mucosa intestinal, a microbiota e mediadores locais.
  • ● Resposta imune e proteção antioxidante. Alguns peptídeos apresentam atividade imunomoduladora ou neutralizam espécies reativas em testes laboratoriais e ensaios com animais.
  • ● Palatabilidade e consumo. Peptídeos e aminoácidos livres participam da formação do perfil de sabor da dieta e podem contribuir para sua atratividade. No entanto, uma hidrólise excessiva pode favorecer o aparecimento de amargor.
  • ● Conversão alimentar e desempenho. Melhor digestão, adequado consumo da dieta e integridade intestinal estão diretamente relacionados à eficiência de utilização dos nutrientes. Como consequência, esses fatores podem contribuir para melhores índices de conversão alimentar e desempenho produtivo, desde que aliados a uma formulação balanceada e boas práticas de manejo.

Esses mecanismos ajudam a explicar por que um ingrediente funcional pode afetar mais de um indicador. Ainda assim, não há uma resposta única para todas as espécies.

Um trabalho aplicado, conduzido em parceria com o Instituto de Pesca, avaliou a proteína hidrolisada de frango em dietas para truta-arco-íris. Segundo o órgão de pesquisa do Estado de São Paulo, o ingrediente viabilizou a substituição total da farinha de peixe na formulação testada. Esses resultados mostram possibilidades de uso, mas a transferência para outras espécies, sistemas ou dietas requer definição de dose, testes de estabilidade e acompanhamento zootécnico.

Em quais segmentos os peptídeos bioativos são utilizados?

Os peptídeos bioativos são fornecidos às dietas principalmente por meio de proteínas hidrolisadas. A aplicação desses ingredientes precisa considerar as características digestivas de cada espécie, a fase de desenvolvimento, o perfil de aminoácidos da ração e o objetivo da formulação. Entre os principais segmentos estão aquicultura, pet food e suinocultura.

Aquicultura

Nas rações para peixes e camarões, proteínas hidrolisadas fornecem aminoácidos livres e peptídeos de baixa massa molecular. Também apresentam potencial para aumentar a atratividade do alimento. A escolha do ingrediente e do nível de inclusão deve considerar a espécie, a fase de criação, o equilíbrio nutricional, o processamento da ração e sua estabilidade na água.

Nutrição de pets

Em alimentos para cães e gatos, esses ingredientes são frequentemente empregados em formulações que buscam proteínas de alta digestibilidade, boa solubilidade e perfil molecular mais controlado. A presença de peptídeos menores também atende ao desenvolvimento de dietas com finalidades nutricionais específicas. Para produzir a formulação é necessário avaliar o grau de hidrólise, o perfil de aminoácidos, a palatabilidade, a tolerância digestiva e a qualidade das fezes.

Suinocultura

Na alimentação de suínos, proteínas hidrolisadas podem compor dietas formuladas para oferecer nutrientes de fácil acesso ao sistema digestivo. Essa característica é especialmente relevante após o desmame, quando os leitões passam por mudanças na alimentação e ainda apresentam capacidade digestiva em desenvolvimento. O nível de inclusão deve ser ajustado à fase produtiva e à contribuição dos demais ingredientes para energia, proteína e aminoácidos.

Outras espécies

A aplicação em aves, ruminantes ou outras espécies requer uma avaliação própria. As diferenças na fisiologia digestiva impedem que recomendações definidas para peixes, camarões, pets ou suínos sejam simplesmente transferidas para outros animais. Antes da inclusão, é necessário confirmar a indicação do produto, sua adequação regulatória e sua compatibilidade com a matriz nutricional da dieta.

Qual é a relação entre proteínas hidrolisadas e peptídeos bioativos?

Uma proteína intacta conserva cadeias longas e sua estrutura tridimensional. Na proteína hidrolisada, parte das ligações já foi rompida, formando uma mistura de peptídeos de diferentes tamanhos e aminoácidos livres. Essa composição tende a reduzir o trabalho digestivo necessário para liberar nutrientes, mas seu valor depende do perfil de aminoácidos, da qualidade da matéria-prima e do controle do processo.

Proteínas hidrolisadas são fontes importantes de peptídeos bioativos, porém os termos não são sinônimos. O hidrolisado descreve o ingrediente obtido pela quebra parcial da proteína; o peptídeo bioativo é uma sequência específica com efeito biológico demonstrado. Para sustentar uma alegação funcional, é necessário caracterizar as frações e validar o efeito em condições compatíveis com a aplicação.

CritérioProteína intactaProteína hidrolisada
EstruturaCadeias preservadas e organizadasCadeias parcialmente fragmentadas
DigestãoDepende de maior quebra no trato gastrointestinalParte das ligações já foi rompida
ComposiçãoPredomínio de proteínas de maior massa molecularMistura de peptídeos e aminoácidos livres
Presença de peptídeos bioativosPodem estar ocultos na estruturaPodem ser liberados durante a hidrólise
Resultado funcionalDepende da digestão e da qualidade proteicaDepende do perfil gerado, da dose e da validação por espécie

Como a MBRF Ingredients aplica a tecnologia de peptídeos bioativos?

Os peptídeos bioativos representam uma evolução no desenvolvimento de ingredientes proteicos porque ampliam a análise para além do teor de proteína bruta. Digestibilidade, composição molecular, interação com o intestino e efeitos metabólicos passam a fazer parte da decisão técnica.

Quando associados a uma proteína de qualidade e a um processo controlado, esses peptídeos têm sido relacionados ao melhor aproveitamento de nutrientes, à resposta imune, à conversão alimentar e ao desempenho produtivo.

Nenhum desses resultados, porém, deve ser presumido. Origem, padronização, grau de hidrólise, evidências por espécie e compatibilidade com a dieta são critérios indispensáveis.

A BioActio Health & Performance é uma proteína hidrolisada de frango produzida por hidrólise enzimática. O processo gera aminoácidos livres e peptídeos de baixa massa molecular para aplicações em aquicultura, suinocultura e pet food. A proposta técnica reúne digestibilidade, palatabilidade e propriedades funcionais que devem ser avaliadas conforme a formulação e o objetivo produtivo.

A linha BioActio, da MBRF Ingredients, foi desenvolvida a partir de pesquisas e testes realizados em parceria com universidades e institutos reconhecidos no segmento. Uma validação externa ocorreu no F3 Krill Replacement Challenge: em 2025, a MBRF Ingredients foi anunciada como uma das vencedoras após um ensaio de 12 semanas com salmão-do-atlântico, que comparou alternativas ao krill por crescimento, consumo de ração e sobrevivência. A solução com BioActio Health & Performance ficou entre as dez finalistas selecionadas, entre 40 inscrições.

Conheça a linha BioActio Health & Performance e descubra como a tecnologia de proteínas hidrolisadas da MBRF Ingredients contribui para formulações de alta performance.

Perguntas frequentes sobre peptídeos bioativos

O que são peptídeos bioativos?

São sequências de aminoácidos que exercem uma atividade biológica além do fornecimento de nutrientes. Elas podem estar presentes na estrutura de uma proteína e ser liberadas pela digestão, fermentação ou hidrólise industrial. O efeito depende da sequência, da dose, da estabilidade e do local de ação.

Qual é a diferença entre peptídeos bioativos e proteínas hidrolisadas?

Proteína hidrolisada é o ingrediente obtido pela quebra parcial de uma proteína, com uma mistura de aminoácidos e peptídeos. Peptídeo bioativo é uma sequência específica dessa mistura que apresenta efeito biológico demonstrado. Portanto, um hidrolisado pode conter peptídeos bioativos, mas os conceitos não são equivalentes.

Como os peptídeos bioativos melhoram a digestibilidade?

A hidrólise reduz as cadeias proteicas e disponibiliza peptídeos pequenos e aminoácidos para absorção. Di e tripeptídeos podem utilizar o transportador intestinal PEPT1. O ganho de digestibilidade varia com a proteína de origem, o processamento, a espécie, a fase de criação e os demais componentes da dieta.

Quais animais podem se beneficiar dos peptídeos bioativos?

Há pesquisas e aplicações em peixes, camarões, cães, gatos, suínos, aves e bovinos. O benefício não é igual entre espécies ou fases produtivas. A escolha deve considerar a necessidade nutricional, o objetivo da formulação, a qualidade do ingrediente e evidências obtidas em condições comparáveis às de uso.

Como os peptídeos bioativos influenciam a conversão alimentar?

Eles podem favorecer digestão, absorção e integridade intestinal, aumentando a parcela da dieta utilizada para manutenção e produção. A conversão alimentar também responde ao balanço nutricional, consumo, sanidade, ambiente e manejo. Por isso, a presença de peptídeos, isoladamente, não garante melhora do indicador.

Como são produzidos os peptídeos bioativos?

Na indústria, uma das principais rotas é a hidrólise enzimática. Proteases quebram ligações da proteína sob controle de pH, temperatura, tempo e concentração enzimática. O processo forma peptídeos de diferentes tamanhos e aminoácidos livres; a composição final depende da matéria-prima e dos parâmetros utilizados.