Data: 12/01/2026
O ano de 2026 traz uma tendência de mudanças na cadeira de proteína animal e por consequência para a nutrição animal. Para a proteína animal o cenário combina desaceleração do crescimento da produção global, pressões por margem relacionadas a custos e sanidade, mudanças no consumo relacionadas ao preço, valor nutricional e sustentabilidade. Em linhas gerais, conforme indicado pelo Outlook 2026 de proteína animal do Rabobank, aves e aquicultura demonstram crescimento, já bovinos e suínos apresentam retração. Além do mapeamento apresentado acima para as proteínas de origem animal, podemos destacar também devido a questões de comércio global mudanças regulatórias, necessidade de maior eficiência e produtividade.
Em paralelo, a nutrição animal indica crescimento moderado, com destaque a inovação em aditivos e ingredientes (ingredientes funcionais, enzimas, probióticos, prebióticos e minerais orgânicos) e a digitalização dos processos, gestão nutricional e aumento da demanda por proteína e por alimento premium para pets. No Brasil, a indústria de proteína mantém relevância global após recordes produtivos recentes, mas se prepara para 2026 com desafio de equilibrar estabilidade produtiva e pressão sobre sustentabilidade, impactando diretamente no portifólio e no posicionamento para nutrição de aves, suínos, ruminantes, aquicultura e pet food.
Neste blog, você encontrará:
- ● Expansão de ingredientes proteicos e dinâmicas do mercado de ração animal;
- ● Premiumização, qualidade e novas abordagens nutricionais;
- ● Claims como funcionalidade, longevidade e bem-estar passam a ser demandados aos formuladores;
- ● Aquicultura em 2026: O que muda neste novo cenário?;
- ● Tendências do segmento pet e comportamento do consumidor final;
- ● Considerações finais
Expansão de ingredientes proteicos e dinâmicas do mercado de ração animal
A pressão por eficiência, produtividade, sanidade e redução de custos impulsionada por barreiras comerciais e volatilidade global exige adequação na definição das formulações das rações e escolha dos ingredientes trazendo em evidência a nutrição de precisão para o centro das estratégias nutricionais.
A nutrição de precisão fundamenta-se na atualização contínua da matriz de nutrientes e na formulação dinâmica das dietas, considerando preço e disponibilidade de ingredientes e aditivos. Na prática, isso envolve uma modelagem robusta de energia e aminoácidos digestíveis, permitindo otimização de custos. Inclui também o uso estratégico de enzimas, que liberam nutrientes e reduzem fatores antinutricionais; além da aplicação de probióticos e prebióticos, que promovem a estabilidade da microbiota e a saúde intestinal, contribuindo para a sanidade animal. Por fim, integra o uso de minerais orgânicos e ingredientes funcionais, importantes para o suporte imunológico e para melhorar o desempenho produtivo.
Na indústria pet, os ingredientes funcionais também ganham destaque, impulsionados pela crescente demanda por estratégias nutricionais voltadas à prevenção de doenças, manejo de condições crônicas (alergia) e a promoção da longevidade do animal. Esse movimento reforça a convergência entre a expansão dos ingredientes proteicos funcionais e a crescente adoção dessas soluções, resultados em dietas orientadas à saúde e fundamentadas em evidências científicas.
Consumidor mais sensível a preço e mais atento ao valor nutricional
A desaceleração do PIB Global prevista para 2026 tende a impactar diretamente no setor de nutrição animal, gerando pressão por redução de custo ao longo de toda a cadeia produtiva. Ao mesmo tempo, esse cenário abre espaço para reforçar a comunicação sobre os benefícios funcionais das rações e promover sistemas nutricionais mais eficientes. Nesse contexto, torna-se essencial que as empresas de produção de ração avaliem não apenas o preço por tonelada, mas também a eficiência funcional e nutricional dos ingredientes, e consequentemente da ração final, assegurando produtos mais competitivos, consistentes e alinhados às demandas do mercado.
Como resposta desse movimento observa-se a premiumização das rações, especialmente direcionadas ao mercado Pet, onde cresce a valorização de atributos relacionados à saúde, imunidade, desempenho, longevidade e biodisponibilidade. Esses benefícios tornam o investimento em rações de maior qualidade, uma decisão baseada em produtividade consciente. Dietas mais assertivas e com maior densidade nutricional possibilita menor consumo de ração por quilo de ganho, reduzindo o custo total da produção e consolidando uma visão de negócio pautada por nutrição inteligente, na qual a formulação deixa de ser guiada apenas por fatores econômicos.
Nesse cenário, a comunicação técnica torna-se um relevante diferencial estratégico e comercial, sobretudo quando se trata de ingredientes com propriedades funcionais. Uma comunicação clara, objetiva e fundamentada em evidências científicas, apoiada em estudos técnicos e testes in vivo permite demonstrar com precisão o conceito e o valor real de cada ingrediente. Essa abordagem fortalece a justificativa do investimento ao evidenciar, de forma prática, seus impactos sobre o desempenho produtivo (como ganho de peso e conversão alimentar), bem como sobre a imunidade e a saúde intestinal, contribuindo para melhores taxas de sobrevivência e maior estabilidade produtiva.
Premiumização, qualidade e novas abordagens nutricionais
O avanço da premiumização no mercado pet reflete uma mudança na forma como os tutores avaliam a alimentação de seus animais. A decisão de compra passa a considerar atributos como qualidade nutricional, funcionalidade dos ingredientes, transparência na origem das matérias-primas e evidências de desempenho do produto. A premiumização também se expressa na diversificação dos formatos de alimentação. A migração gradual de alimentos secos para opções úmidas, refrigeradas ou congeladas ganha espaço, especialmente em mercados mais desenvolvidos, como Reino Unido e Estados Unidos, onde os tutores demonstram maior disposição para investir em experiências alimentares mais próximas da alimentação humana.
Nesse contexto, fontes proteicas alternativas, incluindo, subprodutos de carne, insetos e soluções cultivadas, passam a ser exploradas por seu potencial nutricional e pela capacidade de atender demandas específicas, como alergias alimentares, diversificação da dieta e sustentabilidade, preservando recursos altamente explorados, como os ingredientes de origem marinha.
Ao mesmo tempo, a indústria de alimentos para animais de estimação consolida-se como um dos segmentos mais relevantes e dinâmicos do mercado pet. Apesar do aumento contínuo no número de inovação em produtos, a pesquisa e o desenvolvimento voltados à avaliação de desempenho ainda se baseiam, em grande parte, em metodologias tradicionais de palatabilidade. Os testes mais utilizados concentram-se na quantidade de alimento consumida, geralmente por meio de ensaios de uma ou duas tigelas, oferecendo uma visão limitada sobre os fatores que influenciam as preferências alimentares dos animais.
Ainda há lacunas significativas no entendimento dos motivos que explicam as diferenças observadas no consumo, especialmente no nível dos ingredientes fundamentais. Estudos indicam que cães e gatos apresentam comportamentos alimentares, necessidades nutricionais e respostas sensoriais distintas, o que reforça a importância de abordagens específicas por espécie no desenvolvimento de produtos. Além disso, os formatos de alimentos atualmente disponíveis, secos, úmidos, semiúmidos, snacks e dietas especiais, e os ingredientes utilizados nestes produtos influenciam o consumo. Ganham relevância dos métodos analíticos modernos no desenvolvimento de alimentos para pets.
Claims como funcionalidade, longevidade e bem-estar passam a ser demandados aos formuladores
A nutrição funcional consolida-se como um dos principais pilares técnicos no desenvolvimento de alimentos para animais de companhia. As formulações precisam considerar efeitos fisiológicos associados ao consumo contínuo, considerando impactos sobre a saúde intestinal, o sistema imunológico, o metabolismo energético e o comportamento ao longo da vida do animal.
Assim como na nutrição humana, a saúde de cães e gatos é influenciada pelas características da alimentação.
Uma dieta equilibrada que forneça proteínas, lipídios, carboidratos, vitaminas e minerais em proporções adequadas às diferentes fases de vida é essencial. A esse conjunto básico, somam-se ingredientes funcionais, como prebióticos, fibras específicas, compostos voltados à saúde articular e moduladores metabólicos, que atuam como ferramentas nutricionais para promover bem-estar e saúde animal.
Nos últimos anos, pesquisas em nutrição de animais de companhia também passaram a enfatizar os efeitos metabólicos desencadeados pela ingestão dos alimentos. Esses efeitos estão associados a alterações de saúde que se desenvolvem ao longo de meses ou anos, incluindo influência na saúde urinária, nefropatia, alterações articulares, doenças cardiovasculares, obesidade e intolerância aos carboidratos, como o diabetes mellitus. A relação entre dieta, metabolismo e saúde crônica reforça o papel da nutrição como elemento central na promoção da longevidade e da qualidade de vida de cães e gatos.
As discussões sobre saúde preventiva destacam soluções nutricionais voltadas ao envelhecimento saudável e à prevenção de doenças. Estudos sobre restrição energética, utilização de nutrientes por animais e modulação da resposta metabólica demonstram como ajustes dietéticos podem influenciar positivamente a expectativa e a qualidade de vida ao longo do tempo (Kealy et al., 2002; Teshima et al., 2010). Os petiscos funcionais, especialmente no segmento felino, surgem como uma aplicação prática ainda pouco explorada, promovendo suporte funcional por meio da alimentação respaldada, que são respaldados por critérios técnicos rigorosos na escolha dos ingredientes.
Aquicultura em 2026: O que muda neste novo cenário?
Apesar de previsões de desaceleração em algumas espécies em 2026, o setor de aquacultura exibe um panorama resiliente. Análises recentes indicam que, após anos de crescimento excepcional, a produção global de espécies como salmão e camarão deve continuar avançando, ainda que em ritmo mais moderado. Isso inclui projeções de crescimento de aproximadamente 6% para espécies de carpintarias, cerca de 4% para robalo e sargo, e incrementos menores, porém positivos, para camarão, tilápia e pangasius.
No Brasil, esse movimento ganha reforço institucional: durante a COP30, o governo federal apresentou um plano nacional de incentivo à aquicultura, destacando o papel do setor na segurança alimentar e na redução da pressão sobre cadeias produtivas altamente dependentes de insumos. A inclusão da aquicultura na agenda climática e de sustentabilidade fortalece sua relevância no cenário global e cria bases estruturais que sustentam o crescimento do setor nos próximos anos.
Além disso, as exportações brasileiras de produtos de piscicultura alcançaram recordes, com crescimento expressivo em volume e valor comercializado.
Tendências do segmento pet e comportamento do consumidor final
O mercado de alimentação pet também reflete mudanças de comportamento que impactam diretamente nas formulações nutricionais. Dados recentes de tendências apontam que os tutores estão cada vez mais atentos à qualidade dos produtos que oferecem aos seus animais de estimação, priorizando ingredientes naturais, formulações que entreguem funcionalidade e dietas orientadas por saúde e bem-estar. Isso inclui crescente interesse dos consumidores por rações que abordem nos rótulos benefícios como melhora na digestibilidade, imunidade, condições alérgicas, entre outros.
Os tutores contemporâneos passaram a enxergar seus pets como verdadeiros membros da família, o que vem redefinindo as decisões de consumo no segmento pet. Esse novo comportamento impulsiona a busca por soluções mais qualificadas e personalizadas, especialmente na alimentação, com maior valorização de dietas naturais, rações formuladas para necessidades específicas e petiscos gourmet. Paralelamente, observa-se o crescimento dos investimentos em saúde e bem-estar, com a expansão de serviços como fisioterapia, hidroterapia e seguros voltados aos animais de estimação.
A tecnologia também assume papel relevante nesse processo, por meio do uso de dispositivos inteligentes, aplicativos para gestão de cuidados e plataformas de e-commerce, que ampliam a conveniência e fortalecem o relacionamento entre tutores, pets e marcas.
O mercado de alimentação pet reflete de forma cada vez mais clara a mudança no comportamento do consumidor final, que passa a enxergar a nutrição como um fator determinante para a saúde e a longevidade dos animais. A preocupação com alergias alimentares tem se destacado como um dos principais vetores de decisão. No Brasil, 77% dos donos de animais de estimação afirmam se preocupar com o fato de os alimentos podem desencadear reações alérgicas, enquanto, nos Estados Unidos, 35% dos tutores dizem que o controle de alergias é hoje uma prioridade maior do que costumava ser.
Esse movimento já se reflete nos lançamentos globais. A participação de produtos pet com alegações de baixo, reduzido ou nenhum teor de alérgenos passou de 29% em 2020 para 31% em 2024, com destaque para os alimentos destinados a cães, indicando uma resposta direta da indústria às novas demandas do consumidor.
Paralelamente, cresce a atenção ao nível de processamento dos alimentos. 48% dos donos de pets no Reino Unido concordam que preocupações com a qualidade nutricional dos alimentos ultraprocessados tornaram a ração industrializada menos atrativa, enquanto tutores mais jovens nos Estados Unidos demonstram percepção semelhante, considerando a ração comercial excessivamente processada. Esse comportamento tem estimulado a busca por alternativas percebidas como mais naturais e transparentes.
Como consequência, observa-se um avanço consistente de produtos com posicionamento natural. Atualmente, 51% dos lançamentos globais de alimentos para pets apresentam alegações relacionadas à categoria natural, frente a 47% há cinco anos, evidenciando uma tendência estrutural do mercado. Por outro lado, a participação de lançamentos com alegação orgânica vem diminuindo, o que sinaliza oportunidades para inovação em formulações que conciliam naturalidade, desempenho nutricional e viabilidade produtiva.
Esses dados reforçam um consumidor mais informado, exigente e disposto a investir em produtos que promovam saúde, segurança e confiança, elevando o nível técnico exigido das formulações e dos ingredientes utilizados pela indústria.
Considerações finais
As projeções para 2026 evidenciam o avanço de ingredientes funcionais, a expansão de setores como a aquicultura, o fortalecimento de formulações focadas em proteínas, o crescimento do mercado pet e a incorporação de práticas mais sustentáveis.
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