Data: 08/10/2026

Na ficha técnica de uma farinha de carne e ossos, o percentual de proteína bruta costuma ser o primeiro dado observado. Para a formulação, entretanto, ele representa apenas uma parte da matriz nutricional: minerais, umidade, gordura, estabilidade da fração lipídica e digestibilidade também interferem no valor nutricional e no comportamento do ingrediente.

A origem animal, os tecidos utilizados, a proporção de ossos e as condições de processamento determinam boa parte dessas características. Essas variações afetam o balanço de cálcio e fósforo, a contribuição energética, o perfil de aminoácidos e a necessidade de ajustes com outros ingredientes. Por isso, produtos com a mesma designação não devem ser comparados somente pelo preço por tonelada ou por um único parâmetro nutricional.

Neste artigo, você vai conferir:

O que é Farinha de Carne e Osso e como ela é utilizada na nutrição animal?

A Farinha de Carne e Ossos é um ingrediente de origem animal obtido pelo processamento térmico de matérias-primas animais, seguido da separação de parte da gordura e da moagem. Entre os ingredientes para nutrição animal, ela pode fornecer proteína, gordura residual e minerais à formulação, em proporções que dependem da espécie, dos tecidos utilizados e das condições de processamento.

O portfólio da MBRF conta com dois produtos distintos nessa linha: Farinha de Carne e Osso Bovina e Farinha de Carne e Osso Suína. A origem da matéria-prima precisa ser considerada porque produtos bovinos e suínos podem ter especificações e aplicações distintas e, por isso, não devem ser tratados como ingredientes necessariamente equivalentes.

O que avaliar na composição e nos parâmetros de qualidade da Farinha de Carne e Osso?

A avaliação do ingrediente precisa observar a relação entre os componentes. Matéria-prima, proporção de ossos, remoção de gordura, umidade final e intensidade do processamento podem modificar a matriz nutricional do produto.

Proteína bruta

A proteína bruta é um dos principais parâmetros nutricionais e comerciais das farinhas animais. Seu percentual deve ser interpretado com o perfil de aminoácidos, a digestibilidade, a matéria mineral e os demais componentes, pois um valor mais alto não comprova, isoladamente, melhor aproveitamento na espécie de destino.

Matéria mineral

O teor de matéria mineral está relacionado à presença de ossos e de outros componentes inorgânicos na matéria-prima. Esse valor precisa entrar no balanço da dieta, junto com outros minerais e ingredientes.

Umidade

A umidade interfere na concentração dos nutrientes por unidade de peso e na estabilidade do ingrediente durante o armazenamento. O limite especificado deve ser acompanhado por controles de processo, embalagem e condições de estocagem, sem ser usado sozinho como comprovação de segurança microbiológica.

Gordura ou extrato etéreo

O extrato etéreo estima a fração lipídica e ajuda a dimensionar a contribuição energética da farinha. Como lipídios podem sofrer oxidação, a avaliação precisa incluir indicadores de estabilidade, condições de armazenamento e prazo de uso do lote.

Índice de peróxido

Esse índice mede produtos primários formados no início da oxidação lipídica e funciona como um indicador de controle da gordura presente no ingrediente. Um resultado dentro da especificação é relevante, mas deve ser interpretado com o histórico do lote e, quando necessário, com outros indicadores de oxidação.

Digestibilidade

A digestibilidade indica a quantidade de proteína ingerida que é efetivamente digerida e absorvida nas condições avaliadas. Entretanto, o desempenho depende da espécie, da fase produtiva, da dieta, da composição da farinha e do método do ensaio.

Qual a diferença entre Farinha de Carne e Osso Bovina e Suína?

A espécie de origem e a composição das matérias-primas podem resultar em diferentes garantias de proteína, gordura, umidade e matéria mineral. Essas diferenças não definem uma opção universalmente melhor, mas mostram quais valores devem ser incorporados à matriz nutricional e confrontados com o objetivo da dieta.

ParâmetroFarinha de Carne e Osso BovinaFarinha de Carne e Osso Suína
Proteína brutaMín. 40%Mín. 46%
UmidadeMáx. 10%Máx. 8%
Gordura /extrato etéreoMáx. 10%Máx. 16%
Índice de peróxidoMáx. 5 mEq/1.000 gMáx. 10 mEq/1.000 g
Matéria-prima (origem)BovinaSuína

Fonte: MBRF Ingredients

Como a composição interfere na escolha da farinha para a formulação?

No desenvolvimento de formulações, a especificação da farinha precisa ser interpretada de acordo com sua contribuição efetiva para a dieta. Essa análise relaciona a matriz nutricional, os limites de garantia e a variação esperada entre lotes às exigências da espécie e da fase produtiva.

  • ● Necessidade proteica: a contribuição da farinha para a proteína total depende de seu teor proteico, do perfil de aminoácidos e do nível de inclusão do ingrediente na dieta.
  • ● Balanço de minerais: matéria mineral, cálcio e fósforo interferem no equilíbrio nutricional e na quantidade necessária de outras fontes minerais.
  • ● Contribuição energética da gordura: o extrato etéreo participa do valor energético da farinha e também exige atenção à estabilidade oxidativa durante o armazenamento.
  • ● Digestibilidade da fonte: esse parâmetro indica a parcela da proteína digerida e absorvida nas condições avaliadas e pode variar conforme a espécie, a fase produtiva e o ingrediente.
  • ● Perfil de aminoácidos: a composição de aminoácidos mostra como a farinha complementa as demais fontes proteicas e quais nutrientes podem limitar a formulação.
  • ● Consistência entre lotes: resultados próximos entre diferentes entregas reduzem a distância entre a matriz nutricional utilizada no cálculo e a composição do ingrediente recebido.
  • ● Interação com outros ingredientes: proteína, gordura e minerais modificam o equilíbrio da dieta e podem repercutir no processamento, na estabilidade e no produto final.
  • ● Custo por performance: o custo efetivo reúne preço, contribuição nutricional, regularidade entre lotes, necessidade de correções e resposta esperada da formulação.

Um preço menor por tonelada não representa necessariamente o menor custo na dieta. Farinhas com maior oscilação de composição podem exigir margens de segurança, análises adicionais ou ajustes frequentes, aumentando seu custo efetivo.

Em quais formulações a Farinha de Carne e Osso pode ser utilizada?

As aplicações dependem da espécie de origem da farinha, da legislação vigente, da matriz nutricional e do posicionamento do produto final. O nível de inclusão precisa ser definido conforme as exigências nutricionais da espécie, a fase produtiva, e as características da dieta.

Pet food

Em alimentos para cães e gatos, a Farinha de Carne e Osso pode contribuir com proteína, gordura e minerais. Nesse caso, deve-se avaliar perfil de aminoácidos, digestibilidade, matéria mineral, padronização, segurança e compatibilidade com o conceito nutricional do produto.

Suinocultura

Na suinocultura, a Farinha de Carne e Osso pode integrar a composição das rações como fonte de proteína, gordura e minerais. Sua utilização amplia o conjunto de ingredientes de origem animal disponível para esse segmento.

Aquicultura

A Farinha de Carne e Osso Suína também é indicada pela MBRF Ingredients para formulações destinadas a tilápias, salmonídeos, camarões e outras espécies de aquicultura. A decisão de uso precisa considerar hábitos alimentares, exigências nutricionais, digestibilidade, processamento da ração e perfil dos demais ingredientes. Cada espécie e estágio produtivo pode responder de forma diferente à mesma matriz.

Por que a origem e o processamento da matéria-prima importam?

A composição final começa a ser definida antes da etapa de formulação. Espécie de origem, tecidos presentes, proporção de ossos, tempo até o processamento e separação de gordura influenciam os valores que aparecem na especificação.

Durante a produção e a distribuição, o controle precisa preservar a identidade e a regularidade do ingrediente. Os seis pontos a seguir ajudam a esclarecer todo esse processo.

  • ● Seleção da matéria-prima: é a etapa dedicada a definir materiais permitidos, espécie de origem e critérios de recebimento.
  • ● Frescor: está relacionado ao tempo e às condições de obtenção e transporte da matéria-prima antes do processamento.
  • ● Processamento: fase de produção do ingrediente, marcada também pelo controle de processos e de qualidade do produto.
  • ● Parâmetros de processo: etapa que acompanha limites operacionais, desvios e resultados analíticos do produto acabado.
  • ● Armazenamento: tem o objetivo de proteger a farinha de umidade, calor excessivo, contaminação cruzada e deterioração da fração lipídica.
  • ● Rastreabilidade: permite relacionar matéria-prima, produção, análises, estoque e expedição a cada lote comercializado.

Controles como esses garantem que o ingrediente atende à composição declarada. Além disso, permitem investigar desvios e verificar se uma diferença observada decorre da matéria-prima, do processamento, do armazenamento ou da formulação.

Entenda como ocorre a produção desses ingredientes na MBRF Ingredients.

Farinha de Carne e Osso Bovina da MBRF Ingredients

A Farinha de Carne e Osso Bovina é produzida com matérias-primas bovinas provenientes da cadeia 100% integrada da MBRF. Essa informação documenta a origem declarada do material e favorece o acompanhamento de sua trajetória dentro da empresa.

Farinha de Carne e Osso Suína da MBRF Ingredients

A Farinha de Carne e Osso Suína é obtida do processamento de carne, resíduos de tecidos, vísceras e ossos de suínos. A utilização de matéria-prima fresca e o controle do processo influenciam a composição e a regularidade do ingrediente.

Para a avaliação técnica, a especificação vigente e os resultados analíticos do lote indicam se o produto atende aos parâmetros estabelecidos. Esses documentos constituem a base para analisar sua constância, assegurando o alinhamento entre as necessidades nutricionais e a escolha dos ingredientes.

Quais parâmetros indicam a qualidade da Farinha de Carne e Osso?

Qualidade, neste contexto, significa adequação à especificação e ao uso previsto. O checklist abaixo ajuda a organizar a conferência técnica.

  • ● Composição físico-química: resultados de análise do lote dentro das garantias vigentes para umidade, proteína, gordura, matéria mineral, cálcio e fósforo.
  • ● Padronização entre lotes: histórico analítico compatível com as tolerâncias utilizadas na matriz nutricional.
  • ● Origem e rastreabilidade: identificação da espécie, das matérias-primas e do percurso do lote.
  • ● Segurança microbiológica: plano de amostragem, limites, métodos e resultados previstos na documentação do fornecedor.
  • ● Estabilidade oxidativa: índice de peróxido e outros controles aplicáveis à fração lipídica e ao período de armazenamento.
  • ● Digestibilidade comprovada: ensaios conduzidos com método, espécie e dieta compatíveis, quando disponíveis.
  • ● Perfil de aminoácidos: valores usados na formulação acompanhados da fonte, do método ou do laudo correspondente.
  • ● Teor e disponibilidade mineral: garantias de cálcio e fósforo interpretadas dentro do balanço completo da dieta.
  • ● Controle do processamento: critérios operacionais, tratamento de desvios e verificação do produto acabado.
  • ● Documentação técnica: especificação atual, certificado de análise, orientações de armazenamento e informações regulatórias.

O que avaliar em um fornecedor de Farinha de Carne e Osso?

A homologação do fornecedor deve reduzir incertezas técnicas e operacionais ao longo das entregas. Mais do que apresentar um valor médio, a empresa precisa demonstrar como controla a origem, a produção, a liberação e o fornecimento do ingrediente.

  • ● Especificações claras: garantias, unidades, métodos e tolerâncias sem ambiguidades.
  • ● Consistência de fornecimento: capacidade de repetir as características acordadas e comunicar mudanças relevantes.
  • ● Controle de qualidade: plano de análises, critérios de liberação e gestão de não conformidades.
  • ● Segurança microbiológica: documentação de controles e resultados compatíveis com a legislação e a aplicação.
  • ● Atendimento à legislação: designação, espécie de destino, rotulagem e restrições atualizadas.
  • ● Capacidade produtiva: estrutura para atender volume, prazo e continuidade de abastecimento.
  • ● Documentação técnica: acesso a fichas, certificados, declarações e orientações de uso.
  • ● Suporte técnico: interlocução com qualidade, P&D e comercial para responder a desvios ou projetos específicos.

Farinha de Carne e Osso: composição e consistência orientam a escolha

Escolher Farinha de Carne e Osso apenas pelo teor de proteína bruta deixa de fora variáveis que podem alterar a matriz da dieta. Origem animal, matéria mineral, umidade, gordura, perfil de aminoácidos, digestibilidade e estabilidade oxidativa precisam ser avaliados em conjunto.

Farinhas de Carne e Osso Bovina e Suína apresentam especificações e aplicações diferentes. A adequação depende da espécie de destino, do objetivo nutricional e dos demais ingredientes.

Por fim, o preço por tonelada deve ser confrontado com custo por performance, documentação e previsibilidade de uso. Um fornecedor com rastreabilidade, controle de processo, consistência e suporte técnico reduz a necessidade de decidir com base em uma única garantia.

Conheça as Farinhas Animais da MBRF Ingredients e acesse as especificações das opções de Farinha de Carne e Osso para avaliar a solução mais adequada à sua formulação.

Perguntas frequentes sobre Farinha de Carne e Osso

O que é Farinha de Carne e Osso?

É um ingrediente produzido a partir do processamento térmico de matérias-primas animais, com separação parcial ou total da gordura e posterior moagem. Sua composição inclui proteína, minerais e gordura residual em proporções que variam conforme a origem e o processo.

Quais são os parâmetros que precisam ser avaliados na composição da Farinha de Carne e Osso?

A especificação normalmente inclui umidade máxima, proteína bruta mínima, extrato etéreo, matéria mineral, cálcio e fósforo. Os valores não são universais e devem ser confirmados para a espécie de origem, o produto e o lote avaliados.

Qual a diferença entre as Farinhas de Carne e Osso Bovina e Suína?

As farinhas bovinas e suínas diferem pela espécie de origem e pela composição das matérias-primas, que podem resultar em níveis de garantia distintos de proteína, gordura, umidade e minerais. A escolha deve considerar a matriz da dieta e a aplicação.

A Farinha de Carne e Osso é uma fonte de proteína?

Sim, ela integra o grupo de fontes de proteína animal usadas em formulações autorizadas. O teor de proteína bruta, porém, precisa ser analisado em conjunto com digestibilidade, aminoácidos, minerais, gordura e consistência do produto.

Quais minerais estão presentes na Farinha de Carne e Osso?

Cálcio e fósforo estão entre os minerais em maior quantidade devido à presença de ossos na matéria-prima. As garantias e a disponibilidade devem ser verificadas na especificação e consideradas no balanço mineral completo da dieta.

Em quais rações a Farinha de Carne e Osso pode ser utilizada?

A farinha pode integrar alimentos para pets e rações para diferentes espécies não ruminantes, conforme origem, especificação, legislação e indicação do fornecedor. A MBRF indica a versão suína também para suinocultura e aquicultura, sempre com inclusão definida pelo formulador.

Farinha de Carne e Osso pode ser utilizada na alimentação de ruminantes?

Não no Brasil: a regulamentação vigente proíbe farinhas de carne e ossos na alimentação de ruminantes. O fabricante da ração deve verificar a norma atual, a rotulagem e as medidas de prevenção de uso indevido ou contaminação cruzada.